Daniel dos Santos, colaborador da FORCV em Lisboa, é investigador com interesses em Ciência Política, Comunicação e Marketing Político.
Atenção: As opiniões expressas pelos colunistas não representam a posição da FORCV. Elas apenas traduzem o ponto de vista dos colunistas. Na realidade, a FORCV está aberta a publicar artigos de opiniões de diferentes colunistas, não importa a afiliação política dos mesmos, com o intuíto de apresentar diversos pontos de vistas aos nossos leitores. Por isso, convidamos pessoas interessadas a enviar artigos de opiniões para info@forcv.com. Obrigado(a).
A dois anos das eleições presidenciais, o país político começa a dar sinais de vida, constituindo, por isso, uma boa notícia para a democracia cabo-verdiana. O facto é, em si mesmo, motivador, porque, se bem o entendermos, nos dará, à partida, sobejas garantias de que o próximo acto eleitoral presidencial se fará num ambiente político bastante renhido e tenso.
Até o momento, Aristides Lima é o primeiro candidato a mostrar-se, em público, interessado em ser inquilino do Palácio da Presidência. Fê-lo, discretamente, num domingo, em S. Martinho, não muito distante da Praia, longe de olhares suspeitos, porém, nada que ninguém desconhecesse, em razão de insistentes rumores que, há muito, circulavam em meios políticos e que o davam como aspirante àquele título.
Cumpre-nos dizer que foi com agrado que tomámos nota da sua intenção, por se tratar de um homem sério, um quadro com valor e dotado de um currículo político suficiente para se aventurar na disputa do lugar, em preparação, disso estamos convencidos, desde que se dispôs a ocupar o cargo de presidente da Assembleia Nacional.
Afastado de atritos, resguardou-se, nos últimos oito anos, sempre a pensar no projecto político que acaba de lançar. O que, em boa verdade, lhe permitiu construir e conservar a sua imagem de estadista. Aliás, convém que se diga, a sua candidatura irá, por certo, credibilizar a Presidência da República, cujo prestígio e imagem se acham em contínua degradação em virtude da eleição fraudulenta de Pedro Pires.
O que mais nos intriga, neste processo, é o modo como José Maria Neves tem estado a gerir o dossier presidencial dentro do PAICV. Até agora, fê-lo muito mal, isto é, atabalhoadamente, cometendo erros de palmatória, à primeira vista, inadmissíveis num político com o seu traquejo de agora. Espoletou-o, quando, comportando-se como um verdadeiro «sniper», se mostrou aberto, no Mindelo, se a memória não nos engana, a apadrinhar uma eventual candidatura de Manuel Inocêncio ao lugar.
Ao fazê-lo, escolheu o seu pretendente, pondo os outros de lado, a começar por Aristides Lima. E mais do que isso, introduziu, sem disso se aperceber, a questão presidencial na agenda política tambarina. Agora, em presença da candidatura daquele, vem dizer que é extemporâneo falar do tema em análise. Diz o povo, com muita razão, que quem semeia vento colhe tempestade. Neves semeou-o, ao lançar Manuel Inocêncio e, em consequência, começou a colher tempestade, de que é exemplo acabado o anúncio de Aristides Lima. Outras vêem aí.
Neves deve saber que, em partidos políticos modernos, mormente os que vivem, em regimes democráticos, a agenda política do chefe nem sempre coincide com a dos chefiados. A sua, à laia de comparação, está, neste momento, nos antípodas da de Aristides Lima. Isto é cristalino. Quis impor a sua, ignorando a dos outros, pensando, erradamente, que tinha a situação controlada.
Não está longe da verdade se dissermos que cada dirigente partidário, em Cabo Verde, tem a sua própria agenda política. O partido tem uma, que é, não raras vezes, assumida, colectivamente, mas os seus dirigentes têm-na, também, individualmente, e, em muitos casos, tendem a sobrepô-la à do partido a que pertencem.
Uns, a exemplo dos oligarcas e dos partidocratas, querem eternizar-se no poder como governantes, deputados, autarcas, directores, administradores, outros, porque se julgam portadores dos mesmos direitos históricos que aqueles, desejam ascender aos postos acima ou então a outros semelhantes. Uns e outros movem-se pela ambição, de resto legítima, de ocupar o Poder, a qual é, no fundo, um dos principais traços do político (Adriano Moreira, 1979).
Outra nota a tomar em linha de conta é declaração de Neves acerca da presença do governador do BCV, Carlos Burgo, e do presidente da ARFA, Miguel Lima, na célebre reunião de S. Martinho. Não basta apenas que os critique, porque estes dois senhores, pagos pelos contribuintes, ocupam cargos públicos para cujo exercício se exigem a isenção e a adopção de uma postura de distanciamento em relação à política.
Enquanto primeiro-ministro, Neves não devia ficar apenas por aqueles reparos, ou, dito de outra forma, podia accionar mecanismos legais à sua disposição para os forçar a demitir-se. Resta agora saber se, com efeito, ele detém a sede do poder no sistema tambarina. Lá porque é líder do PAICV e chefe do Governo não significa que seja detentor do Poder. Longe disso, pois a história política dá-nos frequentes exemplos de casos em que as normas colocam o Poder nas mãos de uma pessoa e os factos mostram-no noutra. Ou não estamos em presença do muito conhecido fenómeno da falta de autenticidade do Poder?
Em semana de notório desacerto, marcado por um crescente nervosismo na gestão do dossier presidencial, Neves foi ao Congresso dos «jotas» tambarinas mandar recados aos seus adversários internos e fazer saber a todos que «não é general, mas líder do PAICV», admitindo, pela primeira vez, a possibilidade de deixar o cargo a qualquer momento. O recado tem um destinatário e é, a variadíssimos títulos, um presente envenenado.
A poucos meses do Congresso do partido, Neves parecia estar indeciso. Não sabia se recandidatava à liderança, e se o fizesse colocar-se-ia como candidato a primeiro-ministro, e não sabia, também, se queria formular uma candidatura a presidente da República. Neves já está, certamente, cansado de ser chefe do Governo. No cargo, há oito anos, a esta altura do campeonato, quererá livrar-se dele, o mais rapidamente, possível.
O seu estado de cansaço não advém dos problemas que o desenvolvimento do país coloca a qualquer mortal, mas da gestão de pequenas coisas: ciúmes, guerrinhas, zangas de comadres e de compadres, intrigas políticas, golpes, conflitos pessoais, entre outras questões menores que atormentam o cérebro de quem tem a seu cargo a ingrata missão de distribuir, ainda que autoritariamente, recursos aos seus súbditos.
Por entre estas indecisões, pelo menos, numa parte, a das presidenciais, Neves já perdeu o terreno. Aristides Lima, ao pôr-se já na estrada, colocou-o fora da corrida, obrigando-o, praticamente, a contentar-se com a disputa da chefia do partido e a do Governo. Além do mais, Aristides Lima, com esta jogada, já se perfilha de vez como o candidato do PAICV e, muito dificilmente, para não dizer impossível, deixará de obter o consenso tambarina em redor do seu projecto presidencial, por mais putativos candidatos que surjam.
Cremos que a questão presidencial dentro do PAICV já está arrumada, por mais voltas que se lhe dê. A somar a esta derrota, Neves, por ter sido marginalizado da reunião de S. Martinho, prepara-se agora para ver desafiado a sua liderança no próximo congresso. É quase certo, a não ser que haja recuos de última hora, que venham a surgir um ou mais candidatos. A luta promete e isso só vem animar, certamente, a vida política partidária cabo-verdiana, que, em boa verdade, precisa, no campo ideológico, de se reconfigurar, tal é a sua indefinição e promiscuidade.
OLISANTO NATELIZA
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NATELIZA
quarta-feira, 18 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
BUBISTA: MARKAS I KORS D BITXS
BUBISTA: MARKAS I KORS D BITXS
Na Bubista, durant kandad tenp(u), jent tinha 3 (tres) amor: peska, agrikultura i pekuaria.
Nos kantiga, nos muzga, nos bodj, nos luta/keda na areia, nos gonx (pur dent/fora), nos kunkista, nos numinha (Budinh, Kabalon, Mox, Rus, Lora, Bur, Bronk, etc.) sta relasionod k kes atividad(i). Fui nes anbient d amor pa terra k N pasa part d nha juventud. Pur is(u), N sinti ku lijitimidad pa skribe es linhas, nun “Bubista mitigod”, sobr markas i kors d bitxs d Bubista, k sta ta ba ta pirde na tenp(u).
Oj, pok e kel k ta kunxe sis marka. Inflisment, oj priokupasons e TURISMU (terrurismu) k ses “barrakas” i tud kes ot mal. Era d “na Bubista ka ta ftod” dja kaba! N ta spira mo es artig(u) ta liba sis distinatariu (partikularment, kabrers rezident i naun rezidenti) a rifliti sobr es nos tradison, pa ka txa-l mure sima kabra na dekada d sesenta.
Na Port (Vila d Sal-Rei) i na Rabil era nurmal inkuntra psoas k es 3 (tres) mod d vida (atividad) – istu e, un piskador ta izersiba ainda atividad d agrikultura i pekuaria, tud na mesm(u) tenp(u). Ma, mas kumun/normal, era un kazament(u) entr pastor i agrikultor.
Pa ivitaba kunflit(u)s entr agrikultor i pastor, fui trasod/dlimitod territoriu/zona pa kada un, vedod pur TAPADA (grands mur konstruid d pedra) i ez/es institui fiskais florestal i kurral d kunsedj (prizaun) na kada puvuasaun pa dete infrators (animais inkuntrod na zona agrikula), k so era libertod mediant pagament d un koima o post na prasa pa ramata kond sis don ka taba parse. Na ons d seka/kriz (pur izenpl, na ons d 60) Kanbra, sen remed/alternativa, taba sulta es animals pa es ka murreba d fom ftxod/inkarserod.
Aktualment, tud sta mudod: ka ta izisti nen fiskal nen kural d kunsedj nen zona d pastaja nen tapada nen manifest nen dizima nen kes librona d rejist d propriedad. Es libronas ba pa Praia o es dzaparse d Repartisaun d Finansas i Kanbra Munisipal tma d lum uns ons pa tras. Sima ta flod: “dja ka ten lei nen autoridad”! I kada un e livr pa faze akel k da-l na kabesa. Binde txon d ot, furta bitx d jent, okupa orta (propriedad) d jent – tud na diskontra, frut d falta/pasividad d autoridad, prinsipalment dpos di Dimokrasia di 1991!
Ago kunflits ten ots ator (tubaron, martel i azul, nasionais i stranjers) na briga pa fatia d propriedad: Stod, Kanbra i alguns proprietariu. Nha Vaun dja flaba mo: “Bubista dja ba oga box”! Ago ots ta fla mo “Bubista dja manxe”! Nes neo-liberalismu kapitalista (post en kauza na aktualidad!), amin, N ten sudad d suseg – d Bon Suseg d antigament!
MARKAS I KORS
Sima Tumas d Mon Palapa ta fla: “Un bon kabrer e akel k ta kunxe markas i kors d bitxs!” Pa N ganha es statutu d “bon kabrer”, N pruveita stadia d Nha Vaun na Sal, spesialista nes art, pa N prista prova d Markas i Koris d animals (kabra, baka, karner, etc.). Dpos des izam(i), N sta ben tinta da un splikasaun d nha intendiment sobr es materia, tmond (kunsiderond) bitx kom materia d stud(u).
MARKA e un sinbl(u) stanpod na uredja d kabra/karner/baka, fazed k faka i k e rejistod na Kamara Munisipal pa pasa ta ser legal. Jeralment, el e pasod d pai pa fidj (jerasaun pa jirason). Pur ezenpl, nha pai i Tiu Djonga arda (erda) marka d nha avo Pakalin(u) o nho Arkulin(u) – sima era kunxid(u). Bitxs grand, sima kabol i bur/burr/oz, e (era) markod k ferr(u) kent, pasod nun part d korp (pskos o na ot lugar) k jent ta udja. Baka inda pude ser markod k es prusese d ferru kent o markadu na uredja, sima kabra.
Pakalin, nha avo, kom(u) un grand spesialista/dator na si tenp(u), era txmod pa faze es operasaun d marka o kunsulta bitxs.
TIP(U)S D MARKAS
LASKA (\ o /) pur dent/fora – kort inklinod / (oblikuo) dod na ponta d uredja;
SAPA ( __ ) – kort na urizuntal na ponta d uredja;
RATXA ( | ) – kort na vertikal na ponta d uredja;
GOLP (\ o /) pur dent/fora – kort inklinod na lateral d uredja;
NOK (U) pur dent/fora – kort k forma d U ditod (konkavu);
FRA (O) – sirkulu/brok na sentr d uredja;
FARKUDJA (V) – kort tip V na ponta d uredja.
Atrabes des markas baziku/primariu, kada kriador ta furma se marka, sima na izenpl mustrod li d box na pont 1 (un) i 2 (dois).
KONTRA-MARKAS
Kontra-markas e un alterasaun d marka d urija, txeu bez uzod pa falsifika es marka. Pur izenpl, marka d urija Sapa / Ratxa / Golp pur fora, ta mitid mas un Golp pur dent o un Nok (dent/fora) o Fra.
Kada kriador ten si marka. Pur izenpl:
1) Marka d Pakalin e:
UREDJA DREITA
Sapa / Ratxa / Golp, pur fora
UREDJA SKERD
Laska, pur dent / Golp, pur fora
2) Marka d Juvino Silva Brito e:
UREDJA DREITA
Fra / Ratxa
UREDJA SKERD
Sapa / Golp, pur Fora
KORS
Na kors no pude nkontra kors primariu/baziku (un so kor) i kors sekundariu (mistura d kors). Alguns des kors (d difisil diskrisaun, na auzensia des, pa ken dja ten txeu tenp fora d kunviu k bitxs) ta fka abert(u) – k sinal (...) – pa prosimu opurtunidadi. Pur is, N ta pdi pa kunprensaun pa algun falha.
KORS PRIMARIU
Bronk/Branka
Burmedj/Burmedja
Fusk(a)
Lor(a)
Mader(a)
Marel(a)
Milod/Milada (Oz)
Kastonh/kastanha
Pret(a)
Rus(a)
Santxa/Sontxa (Bur)
KORS SEKUNDARIU
Albasan* (uredja/rasa Arb)
Algaria* (uredja Arb): pret + ping radond bronk
Brazina (tip galinha d mot)
Lagarxada/Lagarxod* (pret liz + bronk/kastonh d box barriga)
Mul (kafe k let)
Nid* (pret/kastonh)
Razuedj (...)
Siad/Siod* (pret/bronk)
Sarnhada/Sarnhod
Sdjod/Sdjada* (...)
Preta Fugera(...)
Un mut obrigad pa Djon Murais, Tumas, Armando, Mana i Finha pa sis(ses) kontribut/ajuda nes artigu.
Djasal, 26 d Fevrer d 2009
Olisanto Kabrer/OLIMAR
___________
* Kor k ten bronk misturod k ot kor.
domingo, 1 de março de 2009
PONTA PRETA
Kanpiaun d Ondas
Josh ângulo, windsurfista d nasionalidad kabuverdian, e vensidor d primer etapa d Sirkuit Mundial d Windsurf rializod na Ponta Preta,na Djasal.
Ago el sta ta prepara pa prosimu prova d ondas k sta ten lugar na praia d Guincho, na Purtugal, na mes d Junh des on d 2009.
Josh ângulo, windsurfista d nasionalidad kabuverdian, e vensidor d primer etapa d Sirkuit Mundial d Windsurf rializod na Ponta Preta,na Djasal.
Ago el sta ta prepara pa prosimu prova d ondas k sta ten lugar na praia d Guincho, na Purtugal, na mes d Junh des on d 2009.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
DIA INTERNACIONAL DA LINGUA MATERNA
REPÚBLICA DE CABO VERDE
GABINETE DO MINISTÉRIO DA CULTURA
Celebração do Dia Internacional da Língua Materna, 21/02/2009, em Parceria com :
• Instituto de Linguística Teórica e Computacional
• Universidade de Cabo Verde
• Escola Secundária Armando Napoleão Fernandes
PROGRAMA
19 de Fev.- quinta feira
11h: 30 - Acto de assinatura do Protocolo entre o IIPC - Instituto de Investigação e Património Culturais e o ILTEC - Instituto de Linguística Teórica e Computacional sobre: A Promoção do Bilinguismo Caboverdiano
20 de Fev – sexta feira
17h30 - Conferência sobre “Projecto do Ensino Bilingue Português - Caboverdiano em Portugal” , proferida pela prof. Doutora Maria Helena Mira Mateus - Anfiteatro do Campus da Uni-CV em Palmarejo
21 de Fev - sábado
10h:00 Conferência de Imprensa no Centro Cultural “Norberto Tavares” em Assomada
a) sobre Dia Internacional da Lingua Materna e
b) divulgação do Prémio Cultural “Pedro Monteiro Cardoso”
10h:30 Conferência sobre a Lingua caboverdiana, proferida pelo Ministro da Cultura, no
Liceu “Armando Napoleão Fernandes” em Stª Catarina, a convite da Direcção desse Liceu
22 de Fev - domingo
21h:00 Debate na Rádio Nacional sobre o processo de oficialização da “lingua cabocerdiana”
Gabinete do Ministro da Cultura, 18 de Fevereiro de 2009
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